Sempre achei que era uma pessoa difícil de guardar rancor.
Também com minha péssima memória é impossivel lembrar todas as coisas ruins que já me fizeram.
Mas alguns acontecimentos simplesmente não se apagam com o tempo, deve ser ai que o rancor toma forma e entra no nosso coração.
Eu sei que não é um sentimento lindo e maravilhoso feito o amor, mas talvez seja importante para nosso crescimento e discernimento do que é ou não uma amizade confiável.
Quando uma pessoa te escolhe como amigo você passa a ter uma responsabilidade.
Mesmo que não queira, se cativar o coração de alguém você se torna responsável pelas dores que nele causar.
É meu amigo ser amigo não é fácil.
Já me magoei profundamente com pessoas que eu amava muito, se elas têm culpa ou não eu não sei.
Esperei muito e em troca tive pouco ou quase nada.
Talvez uma facada nas costas pra me mostrar quem era o dono (a) do jogo.
Acho que me recuperei, eu não sei...
Sempre é difícil perdoar, principalmente alguém tão especial para seu coração.
Não somos obrigados a nos preocupar com as dores do outro, mas é isso que nos torna humanos não?
Me lembro de ter me sentido assim pela primeira vez quando por um descuido da minha mãe me perdi na praia.
Eu no auge dos meus seis anos me afastei do guarda sol da minha família e quando virei para procurá-los já era tarde demais.
Acho que fiquei uns dez minutos sozinha, o que na verdade deve ter sido muito menos porque quando me encontraram nem estavam nervosos e nem bravos.
Foi à coisa mais tensa que me aconteceu durante anos.
Até que em outra ocasião foi a vez do meu irmão se perder enquanto estava sob minha responsabilidade.
Eu vi o caos estampado na cara da minha mãe e ela super irritada comigo:
- Não falei pra você cuidar dele?
Nessa época ela não sabia que eu mal cuidava de mim.
Para nossa felicidade ele estava escondido no armário.
E é claro que procuramos aquele menino em tudo que foi lugar da rua, e esquecemos dos lugares mais óbvios de dentro de casa.
Enfim...
A minha idéia do que era estar perdido ou se perder era essa, até que me tornei adolescente, dai tudo mudou, inclusive minha concepção sobre isso.
Primeiro que quando se é adolescente por si só já nos sentimos perdidos.
Nem é preciso um grande motivo para achar que nossa vida é uma droga, que nossos pais são crápulas, que nossos irmãos são idiotas etc.
Em resumo nossa vida é um drama, uma tragédia grega, um inferno na terra.
Eu que sempre fui o questionamento em pessoa não sabia pra onde ir.
Meus amigos eram muito diferentes de mim e por muito tempo não me encaixei em nenhum padrão ou grupo, acho que até hoje isso acontece, mas na época era importante fazer parte de algo, nem que esse algo fossem os “nerds” da escola.
Porém não era tão nerd pra fazer parte dos nerds, e nem tão descolada para fazer parte dos populares.
Analisando isso depois de um tempo, posso quase afirmar que os nerds fizeram faculdade e agora trabalham em alguma rede de lanchonetes e os populares são pais de família que trabalham na rede de lanchonetes concorrente a dos nerds.
Não fazer parte de grupos escolares teve enfim seu lado positivo.
Acho que a minha grande questão adolescente foi achar que estava perdida porque na verdade me sentia sozinha.
Com 18 anos ainda estava mais perdida na vida que cego em tiroteio, hoje aos 23 (11 dias para os 24) ainda me sinto assim às vezes.
Se perder ou se encontrar é particular de cada um.
No final estamos todos "perdidos", procurando por motivos, por respostas, pelo nosso lugar no mundo.
Enquanto não superarmos
a ânsia do amor sem limites,
não podemos crescer
emocionalmente.
Enquanto não atravessarmos
a dor de nossa própria solidão,
continuaremos
a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois, antes, é
necessário ser um.
lembro nitidamente de uma amoreira no sitio da minha vó.
Só. Uma arvorezinha tímida, com poucas frutas e folhas bem verdes.
Ela aparece de vez em quando nos meus sonhos, e estranhamente é como se eu voltasse a infância. Um sentimento inexplicável de bem estar e conforto, como se lá fosse meu lar, uma espécie de ventre materno.
Não sei se ela existe ou é minha mente me pregando uma peça.
Sempre reiventamos nossas histórias e "embonitamos" nossas experiências de vida, e muitas vezes acabamos adotando isso como a verdade, mesmo que tudo não passe de imaginação.
Então pode ser que eu a tenha inventado em um momento estranho e solitário da minha vida, uma muleta temporária para suportar alguma dor.
Mas me parece tão real, que chego a sentir o cheiro das amoras e posso até provar os frutos.
É uma vivência real de algo que possa nunca ter existido (isso não é de facil compreensão, eu sei).
Talvez inocentemente (ou não) eu tenha criado uma outra realidade.
Me negando a aceitar o aqui e agora.
Recriando algo para conseguir escapar do real que causa o medo e a dor que eu odeio sentir.
Um universo paralelo onde ninguem pode me magoar ou me ferir.
Onde eu posso ficar em paz, e descansar meu coração.
Vou para meu lugar secreto de vez em quando...
Do alto da minha amoreira sou dona do mundo, e lá mal nenhum pode me alcançar.
Sem muita inspiração, sem muitas novidades e com pouco animo também.
Eu sei que é passageiro porque já me senti assim antes, só que dessa vez está demorando um pouco mais para passar.
Eu não tenho me esforçado muito também, as vezes é preciso ficar triste.
Repensar a vida...
Procurar um caminho...
Não há porque se desesperar...
Sei do meu temperamento...das minhas urgências.
Sei do meu coração, tão impulsivo e fragil.
Sentimentos assim me invadem de vez em quando.
Costumo lutar contra eles, mas hoje... vou deixar essa tristeza me dominar e partir em varios pedaços meu coração!
Mas amanhã...
Amanhã meus amigos já é um outro dia...
Bjus
"Está ficando tarde, e eu tenho medo de ter desaprendido o jeito. É muito difícil ficar adulto." -Caio F. Abreu
Dois...
Apenas dois.
Dois seres...
Dois objetos patéticos.
Cursos paralelos
Frente a frente...
...Sempre...
...A se olharem...
Pensar talvez:
“Paralelos que se encontram no infinito...”
No entanto sós por enquanto.
Eternamente dois apenas.
Em dias chuvosos assim, eu sinto uma saudades da minha infância. Quando as coisas eram facéis, e os medos eram simples. Quando eu podia chorar sem medo. Viver sem grandes culpas. Quando a vida era mais valorizada. As pessoas eram mais humanas. Todos acreditavam no poder de mudança. Nossa cultura não era ditada pela TV. Não eramos doutrinados a seguir padrões. Quando o amor era amor.... Quando os amigos duravam a vida toda. Todos viviam em igualdade e independente de qualquer coisa eram respeitados. Todos eramos felizes.
Acordei aqui nesse mundo, nessa desordem e descobri que nada do que senti saudades era real.
Como Carlos Drummond de Andrade já disse uma vez -" Também temos saudades do que não existiu, e dói bastante".